Ding-Dong...
O som da campainha ecoou pela casa.
O coração de Ava disparou quando ela abriu a porta e viu Dylan imponente do lado de fora com um buquê nas mãos. A dor, a traição e a devastação que ele havia causado à sua família piscaram em sua mente em rápida sucessão.
Ela tinha jurado ficar o mais longe possível dele, não importa o quê. No entanto, lá estava ele, parado na frente dela como um fantasma de seus pesadelos. A visão dele a deixou momentaneamente sem palavras.
Este era o homem que ela uma vez amou, mas agora, ela não queria vê-lo. A bile subiu à sua garganta.
Antes que ela pudesse bater a porta na cara dele, Dylan empurrou o buquê em sua direção. "Isso é para você."
Ava pegou as flores atrapalhada, chocada e incerta de como reagir.
'Ele me comprou flores!' Seus olhos estavam prontos para saltar enquanto ela olhava para as belas e coloridas rosas em suas mãos.
A absurdidade disso a atingiu como um tapa. Em todo o tempo juntos, ele nunca havia demonstrado tal afeto, nem mesmo o pretense dele. Que jogo ele estava jogando agora?
Seu olhar alternou do buquê para o rosto dele, com a boca ligeiramente aberta, pois ela não conseguia processar o que estava acontecendo.
Dylan se remexeu desconfortável, ajustando sua gravata. Ele nunca havia comprado nada para ela antes, muito menos dado flores. Não era o estilo dele, e ele não teria feito isso se não fosse pelo conselho de Justin.
"Você não vai me convidar para entrar?" ele perguntou, seu tom frio.
Ava piscou, trazendo-se de volta ao presente. Ela não podia baixar a guarda, nem por um segundo. Ela se lembrou de que não podia deixar ele enganá-la desta vez. "O que te traz aqui?" ela perguntou de volta.
En?
Dylan franziu a testa para ela, sua inquietação rapidamente se transformando em irritação.
Tudo sobre a reação de Ava estava errado. Ela não o recebeu com seu calor usual. Ela não perguntou como ele estava ou como havia sido sua viagem. E ela não parecia nem um pouco impressionada com as flores que ele havia trazido para ela.
Dylan estava irritado. Ele não estava acostumado a vê-la lhe dar o ombro frio. Estava acostumado a vê-la mansa e dócil perto dele, cortejando-o. A Ava confiante e fria o confundiu sobre como lidar com ela.
"Não está óbvio porque estou aqui?" ele exclamou, irritado. "Eu voltei correndo, deixando reuniões importantes assim que soube que você estava no hospital. E é assim que você me recebe? Com atitude?"
Ele gesticulou em direção ao buquê, ainda nas mãos dela. "Eu até te trouxe flores, pela primeira vez. Não deveria pelo menos me agradecer?"
Ele gesticulou em direção ao buquê nas mãos dela. "Não deveria pelo menos me agradecer?"
'Sim, você fez um grande favor para mim aparecendo assim,' Ava murmurou para si mesma e resistiu à vontade de revirar os olhos enquanto caminhava de volta para a casa.
Em sua vida passada, ela teria ficado radiante com esse gesto raro - teria se apegado a ele como prova de seu afeto. Mas agora, sabendo a verdade sobre quem ele era e o que ele havia feito, isso não significava nada para ela. Ela não era mais a mesma mulher que havia seguido ele cegamente.
"Obrigada," ela disse sem entusiasmo, jogando o buquê descuidadamente na mesa de centro.
A mandíbula de Dylan se desencaixou, choque e incredulidade lutando pela dominância em seu rosto. Quando ele parou na floricultura, ele havia imaginado esse momento de forma diferente. Ele pensou que ela ficaria encantada, que se derreteria em seus braços como sempre. Mas em vez disso, ela os tinha descartado sem uma segunda consideração, como se fossem inúteis.
"Se você não pode valorizar meu presente, pelo menos, não o humilhe," ele retrucou, avançando em direção a ela. "Pare de ser arrogante." A rejeição o feriu mais do que ele esperava.
Ava se virou para enfrentá-lo, seus olhos afiados e implacáveis. "Você diz que eu sou arrogante," ela respondeu rispidamente. "Isso não é nada comparado à sua indiferença, Dylan. Eu te liguei, mandei mensagens e tentei entrar em contato. Mas você se importou? Você sequer se deu ao trabalho de responder uma vez?"
Sua raiva aumentou enquanto ela continuava. "Eu não pedia muito. Eu não esperava que você largasse tudo e viesse comemorar nosso aniversário. Eu só queria falar com você. Mas não, você nem mesmo podia me dar isso."
Ela gesticulou em direção ao buquê com um olhar de desprezo. "E agora você traz isso? Essas flores não significam nada para mim."
Dylan soltou uma risada baixa e zombeteira, com as mãos apoiadas nos quadris, cotovelos saltando para fora. Sob seu rosto sorridente, uma tempestade estava se formando. Ele comprou algo para ela pela primeira vez, e ela disse que não significava nada para ela. Ele não conseguia engolir o insulto.
Num instante, o sorriso falso desapareceu, substituído por uma expressão fria e endurecida. Sem aviso, Dylan agarrou o braço dela e a puxou para mais perto de si.
"Você está tão desesperada pela minha atenção, não é, Ava?" ele sussurrou, seu rosto a centímetros do dela. "Bem, parabéns. Você conseguiu."
"Me solte!" Ava cuspiu, lutando para libertar seu braço de seu aperto. Mas quanto mais ela lutava, mais firme ele segurava.
"Você aprendeu alguns truques novos, não é?" Dylan zombou, seu hálito quente contra o rosto dela. "Eu voltei por você, não foi? Eu sei exatamente o que você quer."
Ele agarrou a parte de trás da cabeça dela e a beijou ferozmente - violentamente. A mente de Ava ficou em branco por um momento, a força do beijo a chocou em imobilidade. Mas seu choque rapidamente se transformou em raiva.
Ela torceu o corpo desesperadamente e se libertou de seu aperto. Num piscar de olhos, sua mão voou para cima e aterrissou forte em sua bochecha com um estalo alto. O som nítido do tapa ecoou na sala.
Dylan cambaleou para trás, atordoado. Sua bochecha queimava com a força do tapa. Sua mente lutava para processar o que acabara de acontecer. Sua cabeça virou lentamente de volta para Ava, os olhos se estreitando em incredulidade.
Ava o encarava, seu peito subindo e descendo rapidamente.
"Você me deu um tapa!"
"Saia!" Ava gritou, apontando para a porta.
"O quê?" Sua expressão se aprofundou, confusão se misturando com seu orgulho ferido.
"Eu disse, vaza!" ela gritou, sua voz subindo ainda mais, cheia de raiva e finalidade.
Dylan ficou ali, atônito. Ele nunca a havia visto assim antes - esta não era a Ava que o seguia mansamente, ansiando por sua atenção. 'O que aconteceu com essa mulher?' ele se perguntou.
A raiva voltou a surgir dentro dele. "Você vai se arrepender disso. Não espere que eu volte aqui para te acalmar ou te levar para casa."
Ele se virou em direção à porta. Mas antes de sair, ele virou-se mais uma vez. "E não pense jamais em repetir aquela palhaçada de suicídio. Da próxima vez, eu não vou correndo." Com isso, ele saiu tempestuosamente.
Enquanto a porta se fechava com um estrondo atrás dele, todo o corpo de Ava desabou no sofá, seus ombros tremendo como se ela estivesse segurando a respiração o tempo todo. Lágrimas logo se juntaram em seus olhos. Apesar de suas tentativas de permanecer indiferente a ele, ainda doía.
"Para você, eu só estou tentando chamar sua atenção," Ava murmurou, sua voz quebrando. Ela não conseguia entender por que não havia notado tudo isso em sua vida anterior. Por que ela o deixou humilhá-la repetidamente?
Mas ela não o deixaria machucá-la novamente. Ava impiedosamente limpou os lábios como se tentasse apagar qualquer vestígio dele. Quando seu olhar se moveu para o buquê, sua raiva atingiu o ponto de ebulição. Ela pegou e o atirou para baixo.
"Eu te odeio, Dylan."