Os pesadelos recorrentes

Não demorou muito para eles chegarem na Vila do Dylan. Gianna rapidamente o manobrou para fora do carro, usando toda a sua força para ajudá-lo a cambalear pela porta da frente e entrar em seu quarto. Ela o abaixou gentilmente na cama. Sentou-se ao lado dele com um sorriso calculista no rosto.

Dylan murmurava incoerentemente, afrouxando a gravata. Sua inquietação era palpável.

"Dylan," ela disse com uma voz sedutora, seus dedos levemente tocando seu peito enquanto começava a desabotoar sua camisa, um botão de cada vez. "Deixe-me ajudar a tirar suas roupas."

Dylan de repente agarrou a mão dela e abriu os olhos, assustando-a e quebrando a confiança que ela havia adquirido apenas momentos atrás. Ele piscava frequentemente, tentando se focar nela. "Gianna!" Sua voz estava tingida de confusão. "O que você está fazendo aqui?"

"Você estava bêbado," Gianna sussurrou, chegando mais perto dele. "Eu te trouxe para casa. Deixe-me ajudar a tirar suas roupas." Seus dedos se moveram para sua camisa mais uma vez, mas Dylan abruptamente se sentou e saiu da cama, seus passos incertos.

"Já é tarde," ele murmurou, massageando as têmporas para combater a dor de cabeça pulsante. "Você deveria ir embora." Apesar de sua embriaguez, Dylan não estava completamente perdido. Ele sentiu um desconforto subir pela sua espinha com a proximidade dela.

Gianna, determinada, avançou em sua direção, seus braços envolvendo sua cintura. "Dylan, eu quero ficar aqui com você," ela insistiu. "Eu vou cuidar de você, satisfazer suas necessidades, e te dar o amor que você merece."

"Gianna!" ele resmungou enquanto empurrava as mãos dela para longe. "Saia!"

"Por quê?" Gianna exigiu, seu coração apertando dolorosamente com a rejeição dele. "Por que você não pode me amar?"

Ele fez uma careta, a pressão em sua cabeça intensificando-se à medida que a tontura tomava conta. Cambaleando, ele quase perdeu o equilíbrio.

Num piscar de olhos, Gianna correu para o lado dele e o segurou firmemente, estabilizando-o.

"Você nem consegue ficar de pé," ela murmurou preocupada. "Não tem ninguém aqui para cuidar de você. Deixe-me ficar." Ela colocou a mão em seu rosto e virou-o em sua direção.

"Eu não preciso de você aqui," ele resmungou, afastando a mão dela, seu tom de voz endurecendo. Sua expressão endureceu. "Não me force a ser duro com você, Gianna. Saia!"

O coração dela se apertou com a amargura em seu tom de voz, lágrimas enchendo seus olhos. "Por que você está me afastando? Você sabe o quanto eu me importo com você. Eu posso ser a esposa que você precisa, aquela que ama e apoia você." Ela novamente alcançou e segurou sua mão.

A irritação de Dylan intensificou-se. Cada célula do seu corpo gritando para afastá-la. Mas ele suprimiu sua raiva. "Eu nunca pedi por isso."

As palavras dele a cortaram como uma lâmina. Gianna apertou os punhos ao lado do corpo enquanto exigia, "É por causa da Ava? Você tem sentimentos por ela?"

"Não," Dylan retrucou instantaneamente. "Eu não tenho nenhum sentimento por ela." Ele fez uma careta, seu rosto ficando mais sombrio. "Ela é apenas um meio de acertar as contas com Thomas Williams."

"Então por que você não me deixa ficar ao seu lado?" ela lamentou, tentando romper a barreira que Dylan havia construído entre eles.

Dylan virou-se para ela, sua expressão suavizando. Seu tom de voz não era tão duro quanto antes. "Eu prometi ao seu irmão que sempre cuidaria de você. E estou cumprindo minha palavra. Você é como uma irmã para mim."

Gianna não queria ser vista como irmã dele. Ela havia sonhado por muito tempo em ser sua esposa. Mas, apesar da pontada de decepção, uma faísca de esperança permanecia em seu peito. Contanto que ele se importasse com ela e odiasse Ava, ela ainda tinha chances de conquistá-lo.

Seus lábios se curvaram em um sorriso suave, escondendo sua frustração. "Ok, eu entendo. Mas, Dylan... já é tarde. Posso ficar aqui esta noite? Uh – eu vou dormir no quarto de hóspedes."

Dylan hesitou, claramente desconfortável com a ideia dela ficar. Ele não queria ela lá, mas não conseguia se obrigar a recusá-la abertamente. Ele suspirou, resignado. "Tudo bem. Vá e descanse."

"Obrigada. Boa noite, Dylan." Ela, com um sorriso astuto no rosto, saiu, fechando a porta atrás de si.

Dylan desabou de volta na cama, a exaustão o dominando. Não demorou muito antes que o sono o reivindicasse, mas não oferecia paz. Pesadelos começaram a girar em sua mente, desconexos e perturbadores, puxando-o para mais fundo no vazio. Vozes distorcidas ecoavam, puxando pelas bordas de sua consciência.

'Sr. Williams é inocente. Algo está errado...' Uma voz gritou das sombras, mas Dylan não conseguiu identificá-la. Sua testa se contraiu enquanto a tensão o dominava, seu corpo se contorcendo enquanto lutava com as imagens distorcidas que se desenrolavam em sua mente.

Ele queria sair dos pesadelos, mas parecia que estava preso lá, incapaz de encontrar a saída.

A próxima cena o perturbou ainda mais.

Ava jazia imóvel numa poça de sangue. O coração de Dylan balançou com a cena. 'Ava! Acorde,' ele gritou, mas ela não se moveu. 'O que você está fazendo aí deitada?'

O coração de Dylan trovejou em seu peito. Com mãos trêmulas, ele estendeu a mão. Assim que seus dedos tocaram a bochecha dela, os olhos dela se abriram de repente, perfurando-o com um olhar gelado e aterrorizante.

'Você me matou,' ela sibilou. 'Está feliz agora?'

Com um suspiro, ele abriu os olhos freneticamente, trazendo-o de volta para o presente. Ele se sentou abruptamente na cama, seu coração batendo forte no peito enquanto os resquícios do pesadelo ainda se agarravam a ele.

A imagem de Ava deitada no sangue o assombrava, recusando-se a desaparecer.

'Por que estou tendo um pesadelo desses?' ele se perguntava interiormente, ainda tremendo de horror. Seria um prenúncio do que poderia acontecer?

A mera ideia de Ava se machucar rasgava o seu coração. Ele agarrou seu peito enquanto uma dor aguda se espalhava por ele. Suor escorria pela sua testa, sua respiração irregular.

Enquanto isso, Gianna entrou no quarto sem bater com um copo de suco na mão. Mas quando ela viu Dylan enrolado na cama, o pânico a dominou. Colocando o copo apressadamente no criado-mudo, ela correu até ele.

"Dylan!" ela exclamou. "O que está acontecendo? Você está bem?" Seus olhos vasculharam freneticamente seus traços, seus dedos tremendo enquanto o seguravam. "Por que você está tão pálido?"

Dylan se afastou do toque dela, sua expressão tensa. "Estou bem. Foi só um pesadelo," ele murmurou, empurrando-se para cima da cama. Sua mão pressionou contra sua testa enquanto a pulsação surda de sua dor de cabeça permanecia, o resquício de seu sonho ainda o assombrando.

Ele olhou para ela por cima do ombro e perguntou, "Por que você veio até aqui?"

"Eu..." Gianna gaguejou, seus olhos baixando para o copo de suco no criado-mudo. "Eu fiz um suco para você. Pensei que ajudaria com a sua ressaca."

Ele apreciou o gesto, mas não gostou dela entrar em seu quarto sem aviso. "Ok. Mas não se esqueça de bater na próxima vez. Eu não gosto que entrem no meu quarto assim."

Com isso, ele foi para o banheiro.

A boca de Gianna torceu em irritação enquanto ela observava a porta fechada. "Por que ele é tão frio comigo?"