Capítulo 3 – Um Jantar com a Família Blackwood
A sala de jantar era grandiosa, iluminada por candelabros dourados. Selena sentou-se desconfortável ao lado de Anderson. Clarisse, a mãe dele, sorria com doçura falsa.
— Que bom ter você conosco, querida — disse Clarisse. — Essa mesa estava tão vazia.
Vladimir, o pai, acendeu um charuto.
— Esperamos que se adapte rápido. Aqui... todos aprendem a se adaptar.
Anderson olhou para Selena com calma.
— Hoje não vamos falar de promessas ou acordos. Só queremos jantar em família.
Criados serviram pratos caros. Selena se manteve em silêncio.
— Você gosta de piano? — perguntou Clarisse. — Eu posso te ensinar. A música ajuda... a manter o controle.
— E a disciplina — completou Vladimir.
— Um brinde — disse Anderson, erguendo a taça. — À nossa nova vida juntos.
(As taças se encontraram. O som do cristal ecoou como um aviso. Selena então respondeu)
Selena: Obrigada pelo convite, mas não preciso de lições de piano.E a música é uma forma de expressão, não uma ferramenta de controle. E quanto à disciplina, acho que já sei o suficiente sobre isso.(selena Ergui a taça, sem entusiasmo) e completa— À nossa nova vida juntos, então. Mas espero que não seja tão... sufocante quanto este jantar. (Selena olha para Anderson, desafiadoramente, e depois para seus pais, que pareciam não ter gostado da sua resposta.)
A família Blackwood se entreolhou, surpresa com a resposta de Selena. Clarisse sorriu novamente, mas desta vez com um toque de irritação.
— Ah, querida, você parece ter uma visão muito... peculiar sobre a vida — disse Clarisse. — A disciplina é fundamental para o sucesso.
Vladimir Blackwood acendeu outro charuto, observando Selena com interesse.
— Sim, e é importante aprender a se adaptar às circunstâncias — disse ele. — A vida não é sempre fácil, mas é preciso aprender a lidar com ela.
Anderson olhou para Selena com um sorriso calmo.
— Eu acho que Selena vai se adaptar muito bem — disse ele. — Ela parece ter uma personalidade... forte.
Não estou aqui para discutir sobre minhas visões sobre a vida ou para ser moldada de acordo com as expectativas de vocês Selena fala olhando diretamente para Clarisse e Vladimir.E quanto à adaptação, acho que é mais importante saber quem sou e o que quero, em vez de simplesmente me adaptar às circunstâncias. Selena virou-se para Anderson, com um olhar cético. você acha que vou me adaptar bem? É interessante, porque até agora, não tenho certeza se estou aqui por escolha ou por obrigação.
A família Blackwood se entreolhou novamente, desta vez com uma mistura de surpresa e irritação. Clarisse parecia particularmente descontente com a resposta de Selena.
— Ah, querida, você está sendo muito... ingênua — disse Clarisse, com um tom de voz que sugeria que Selena era uma criança desobediente. — Você não tem escolha aqui. Você é uma Blackwood agora, e vai aprender a se comportar como tal.
Vladimir Blackwood inclinou-se para frente, seus olhos fixos em Selena com uma intensidade que a fez sentir desconfortável.
— Sim, e é importante lembrar que você tem certas... obrigações — disse ele. — Obrigações que você não pode simplesmente ignorar.
Anderson sorriu novamente, mas desta vez havia um toque de advertência em seu sorriso.
— Eu acho que Selena vai aprender a entender sua posição aqui — disse ele. — Com o tempo, ela vai ver que é melhor cooperar.
Eu não sou uma criança desobediente que precisa ser ensinada a se comportar! Selena exclamou, sua voz crescendo em indignação. Com um movimento brusco, ela bateu na mesa com a palma da mão, fazendo com que todos os olhos se voltassem para ela. Em seguida, ela se levantou e saiu da sala.
A sala caiu em um silêncio mortal.
A palma de Selena ainda ecoava nas paredes da mansão como um tiro. Vladimir Blackwood a observava com frieza, os dedos tamborilando lentamente sobre a taça de vinho, enquanto Helena apertava os lábios, como se engolisse o desejo de repreender a garota ali mesmo.
Mas foi Anderson quem permaneceu imóvel. Os olhos fixos na porta por onde Selena havia saído. O sorriso que ele carregava até então desapareceu lentamente, como uma sombra apagada pela luz.
— Com licença. — disse em voz baixa, colocando o guardanapo dobrado ao lado do prato.
Ele se levantou, ajeitando os punhos da camisa com precisão quase ritualística. Cada passo que dava para longe da mesa soava como o prenúncio de algo inevitável.
No corredor, o som de seus sapatos ecoava como se cada batida marcasse a contagem regressiva. Ele não bateu na porta. Ele abriu.
Ele fecha a porta com calma, sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Você terminou o show, Selena? — ele pergunta, com um sorriso frio nos lábios. A voz é calma demais para o momento. Isso torna tudo pior.
Ele se aproxima um pouco, as mãos atrás das costas.
— Foi ousado bater na mesa daquele jeito... ousado e... irritante. Mas sabe o que mais me irrita? O fato de você ainda não entender o que isso aqui significa.
(Ele para a poucos passos de você, o olhar intenso como se quisesse atravessá-la com os olhos.)
— Você pode gritar, fugir do jantar, fazer teatrinho. Mas no fim do dia, Selena... você volta sempre pra mim.
Selena:
Você pode tentar me prender aqui, mas não pode me fazer ficar,
E no dia que eu sair daqui porque eu vou sair você vai se arrepender de não ter me deixado ir quando teve a chance.
(Anderson ri. Ele caminha lentamente até Selena, mãos nos bolsos, como se estivesse se divertindo com tudo aquilo.)
Anderson:
— "Você pode tentar me prender aqui…"
(sorri torto)
— Selena… se eu tivesse te prendido, você estaria usando correntes agora. E esse quarto teria trancas do lado de fora, não do lado de dentro.
(Ele para diante dela, o olhar calmo)
— Eu ainda não te prendi, meu amor. Ainda estou te dando o luxo de fingir que tem escolha. Mas continua cuspindo fogo assim… e talvez eu comece a pensar que liberdade é algo que você não sabe como usar.
(Se inclina um pouco, perto do ouvido dela, a voz baixa, quase gentil — quase):
— E quando eu decidir te prender de verdade, vai ser com muito mais do que correntes.
Selena:
— Você mesmo disse que não tô presa, né? Então não tem por que eu ficar.: Anderson:
Anderson
— Eu disse que ainda não te prendi. Se eu tivesse, haveria correntes… e você nem sequer estaria de pé.
(Ele se aproxima lentamente, a voz baixa, carregada de uma calma)
— Aliás, você devia estar agradecendo, Selena. Eu ainda não comecei a te cobrar por nenhuma das suas obrigações como esposa.
Ainda.
(Ele se vira, indo em direção à porta. Para por um instante, lançando um olhar gelado por cima do ombro.)
— Pode continuar fingindo que tem escolha. Pode tentar fugir, se quiser.
Mas lembre-se: ninguém escapa da família Blackwood.
E os que tentam... costumam desejar ter ficado.
(Ele sai, fechando a porta com lentidão. O clique do trinco soa mais como uma sentença do que um simples barulho. O quarto parece se encolher ao redor de Selena.)